segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Fiat Lux


Fernando Pessoa, em 1917, ano da aparição da "senhora celeste" de Fátima, escreve;

"A Europa tem sede que se crie, tem fome de futuro.
A Europa está farta de não existir ainda! Está farta de ser apenas o arrabalde de si própria!
A Europa quer passar de designação geográfica a pessoa civilizada!
Proclamo isto bem alto e bem no auge, na barra do Tejo, de costas para a Europa, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando abstractamente o infinito!"


Cria-te Europa - Renasce da terra e transforma-te em alma.
Urge cumprir o desígnio, a união europeia é um passo para o fim das super-potências, arautos não eleitos para policiar o mundo. Portugal Europeu com a finalidade social, da melhoria de vida, das gentes que um dia partiram para o futuro, alargando os horizontes do mundo, na aventura da descoberta. Todos os povos são diferentes, mas é de igualdade a "fome" que Pessoa retrata, direitos iguais para gentes diferentes, e respeito de seus direitos sem obrigações... é de liberdade o desígnio, não de leis restritivas e condicionantes. Obrigações ditadas pela lei (sempre feita pelos homens) que não visem o bem comum, ou a liberdade do próximo, não passam do virar de costas para os seus. O manifesto é de civilização... aos governantes, "fazedores" da nova europa, pede-se o sacrifício do zelo pelo bem público - é essa a sua função, pública função, servir o cidadão. Quiçá contra os interesses de alguns, porventura de si mesmos, governo ou dirigente terá por sua pena, o sacríficio do zelo pelo bem comum... "de olhar fito no futuro". Por um amanhã, mais solidário, mais igual, mais brilhante que o cinzento baço político apenas parece discernir. Um candidato ao desígnio de governar, tem de abnegar de si próprio, para só servir o seu povo - a causa pública não é abstracto, é a realidade das condições de vida, que no dia a dia, os povos trilham, na escalada da montanha mais alta... subindo à civilização!
Ser europeu significa saber olhar um futuro, desprovido de guerras e de fome, iluminado pela chama da civilização.

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