quarta-feira, 25 de abril de 2007

Dança de Poderes

Análise Temática
Da criatividade analítica da crítica político-social

Dos muitos “filmes” que se estreiam na WEB, e circulam por mails em várias direcções, este “dança de poderes” regista uma perspicácia subjectiva, subversiva mesmo, na assunção da realidade desdita, palpável ao olhar do simples “labrego”, mas também perceptível na subtileza lítica de qualquer intelectual, daí merecer esta composição artística, uma atenção mais pormenorizada, de mais minúcia.
Os actores designados, predominantes na actualidade, se de políticos ocorrentes se tratasse, mostram-se suspensos nos desígnios da vontade que fará o porvir, “O Último Pacto” qual ultimato numa assimetria aparentemente linear, mas que se contrabalança num triângulo perfeito e harmónico, como se observa no enquadramento cénico das posturas assumidas.
No eixo central e separando as duas figuras rivais, o governante e o opositor, governo e oposição, eleva-se com elegância o dignitário supremo da nação, acompanhando o seu par, e o passo, do primeiro ministerial, varão portuguesmente vestido à liça de Zé do povinho, numa roda de dança que implica o sujeito condutor e o conduzido, em perfeita harmonia – sem que pisem os “calos”, como se diz na gíria. Na tríada desta composição harmónica, o lado opositor ao duo dançante, revela-se uma figura feminina suspensa, mas por oposição à fulgurante jovialidade do par, traja roupa circunspecta, de lisura expectante – de viúva ou quiçá de amante. Reside a criatividade pungente nesta composição, a subversiva aquiescência no acto de transformar em paradigma, as figuras de mulher que são de facto homens. Assim, sai reforçado a ambiência que se infere na dualidade feminina, reportando o elemento “condutor” da dança, ao eixo da centralidade masculina das três figuras destacadas. A colocação dos nomes do elenco, logo abaixo dos personagens, dá disso mesmo uma pista, com a troca do nome do elemento central, como que posicionando o condutor da valsa no centro da representação.
O título sugere mais, reforçando ainda a ideia da ambiguidade, quando se diz o local mas se omite o dia da exibição e se antepõe o secretismo da ocorrência. Deixa pois, pairar a ideia de uma conspiração, mais que um secretismo, pelo reforço de um casto e derradeiro segredo não divulgado, um “passa a palavra” em surdina receoso. Baste esta expectação e entender-se-á o subversivo título escolhido “O Último Pacto Em Lisboa”. Poder-se-ia chamar de “ O Último Tango em Paris”… ou, “A Última Valsa”.
Aforismos à parte, não se trata de um último acordo político, esse é contido à percepção, apreende-se aqui outra transcendente percepção do sentido de “pacto”, algo mais subtil e furtivo, não perceptível por ocultação, porém, perceptível sensorialmente.Por último, a tonalidade com que se reveste o “quadro geral”, denunciando uma paleta d’Avinciana , mas também de Avintes, reporta o período político retratado para uma temporalidade Renascentista, burguesa até, fazendo jus à sobriedade na composição do estilo não só de Leonard D’Avinci , mas também de Goya, por não definir perspectiva nenhuma em segundo plano, reforçando a cor ocre, por justaposição ao branco, alvo da luz que releva para primeiro plano o braço condutor desta tríade-política, aqui retratada e analisada. Um único reparo, suscita talvez nesta data, a inexistência de um cravo rubro na encenação montada da actual democracia, mas tal, exigia uma morena de Grândola, um Zeca e um violão às 4 da madrugada.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Babel esquecida

Quem se lembra de como foi o Iraque? Quem se recorda de uma das sete maravilhas do mundo? Da Babilónia, nada resta dos jardins suspensos, hoje é mito. E a cidade de Ur, hoje é ruína?
Tombaram os Palácios do Iraque, tal como a torre de Babel, por intentar alcançar os céus... a guerra tudo destrói, a reconstrução perde-se na memória.

Banca Africana

O Continente da fome, acalenta o dinheiro dos barões guardado nos bancos. A morte impera não só pelas armas... até quando, até quando, África do ouro reluzente e do ouro negro. Da terra poderá um dia nascer o trigo? Da riqueza só de alguns, poderá surgir ainda a esperança... nos meninos à volta da fogueira? A grandeza por vezes está na "pena" do poeta, e a canção de África é um lamento que dura já demasiado tempo, até à rouquidão, suspira: - Ajudem! Help!
Até quando?

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Publicidade

Cartaz da campanha do ministério da economia, devidamente vândalizado - o AllGarve da Vela e da Música, não reconhece a assimilação árabe na cultura lusa, e se é para inglês perceber, melhor seria mandá-los aprenderem a história das civilizações da europa, de ALLondres até ALLisboa.

Além do Tejo

Promover a região alentejana, um oásis no deserto da imaginação, nem precisa do Alqueva... basta designar-se no prefixo árabe o anglicismo dos Beatles - All "we need is love" - e pronto!
.
Nota "póstuma" sobre a campanha "ALLGARVE" do Min. da Economia - Apráz dizer que foi retirada, embora "devido a um acontecimento infeliz; o rapto de uma criança inglesa no Algarve." (dito em 9 Maio 2007, pelo dito)

terça-feira, 20 de março de 2007

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva, 100 anos de um pensamento livre (2006)

Natural do Porto, Agostinho da Silva foi um verdadeiro “cidadão do mundo”. Com um percurso académico notável, o filósofo doutorou-se “com louvor” ainda com 23 anos. Humanista, acreditava no Homem e na sua capacidade de triunfar pelo seu próprio esforço e conhecimento. Talvez por isso, dedicou toda a sua vida a promover a divulgação da cultura. Os Cadernos de Informação Cultural que lançou em Portugal durante os anos 40, bem como o trabalho que desenvolveu no Brasil – ajudou a fundar a Universidade de Santa Catarina e criou o Centro de Estudos Afro-Orientais na Universidade Federal da Baía e o Centro Brasileiro de Estudos Portugueses na Universidade de Brasília – são exemplo desse empenho em fazer chegar o conhecimento a todos. Defendia um pensamento livre e nunca aceitou que lhe impusessem qualquer limite à sua liberdade, o que o acabou por levar primeiro à cadeia e, mais tarde, ao exílio. Filósofo, poeta, escritor, biógrafo, novelista, … Agostinho da Silva tornou-se conhecido do grande público português no início dos anos 90, pouco tempo antes da sua morte em 3 de Abril de 1994.

Agostinho em palavra e pensamento

“Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; […] Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha” – “Sete Cartas a um Jovem Filósofo”, 1945

Não defendo este partido, nem o outro; se ambos diferem à superfície e podem arrastar opiniões, aprofundemos nós um pouco mais e olhemos o substrato sobre que repousa a variedade […] Que vejo de comum? O rebanho dos homens, ignorantes e lentos no pensar, que se deixam arrastar pelas palavras e com elas se embriagam” – “Diário de Alcestes”, 1945 “Não me preocupa no que penso nem a originalidade nem a coerência. […] Mas, se quiserem pôr-me assinatura que notário reconheça, dirão que tenho a coerência do incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso” – “Pensamento em Farmácia de Província”, 1977 “Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida, sou do paradoxo que a contém no total” – “Pensamento à Solta” “Claro que sou cristão; e outras coisas, por exemplo budista, o que é, para tantos, ser ateísta; ou, outro exemplo, pagão. O que, tudo junto, dá português, na sua plena forma brasileira”

As comemorações do centenário do nascimento de Agostinho da Silva, pensador que continua controverso e enigmático, tiveram lugar no Centro Cultural de Belém (CCB), com o patrocínio do ministério da Cultura.
As celebrações incluíram colóquios, exposições, publicação de livros, edição de um selo comemorativo, abertura da cátedra Agostinho da Silva na Universidade de Brasília e o baptismo de um avião da TAP com o seu nome. As iniciativas resultam de uma parceria dos governos de Portugal e do Brasil (onde o escritor esteve exilado) e a Associação Agostinho da Silva e incluem a projecção do documentário "Agostinho da Silva: um Pensamento Vivo" e a inauguração da mostra "Agostinho da Silva: Pensamento e Acção" em cidades portuguesas e estrangeiras. A efeméride revela um pensador e pedagogo que continua a ser uma figura controversa e enigmática, mesmo para os que com ele privaram. Reconhecendo que a sua personalidade sempre o intrigou, o ensaísta Eduardo Lourenço afirmou que "não era parecido com ninguém, excepto com ele próprio" e lamentou que a sua obra ainda esteja "pouco estudada". Por seu lado, o escritor Fernando Dacosta afirmou à Lusa que se vive "um tempo anti-Agostinho da Silva", pois "a sua filosofia e utopia" não têm eco junto dos governantes, apesar de ter sido uma figura de "grande lucidez".
Nuno Nabais, professor de Filosofia em Lisboa, assegurou que "não existe um pensamento Agostinho da Silva" e disse acreditar que o pensador "estaria a rir-se, ao ver-se objecto de comemorações oficiais". O escritor Baptista-Bastos, por seu lado, declarou que Agostinho da Silva – "um grande museu clássico com um perfume de modernidade" – representa "uma grande dose de utopia, de quimera e de esperança nas infinitas possibilidades do Homem". O filósofo e pedagogo Agostinho da Silva nasceu no Porto, a 13 de Fevereiro de 1906, esteve preso no Aljube devido a polémicas com o Estado Novo e com a Igreja Católica e optou por se exilar no Brasil. Com a sua morte. Portugal fica com um legado mais rico, fruto de uma obra vasta que inclui textos pedagógicos, ensaios filosóficos, novelas, artigos, poemas, estudos sobre História e Cultura e as suas reflexões sobre a religião.

sábado, 17 de março de 2007

Matar a Sede


Sapo Não Fala

A última barreira da comunicação, é a liberdade de falar... sem pagar para tal! Outros tempos ditaram que para o uso de isqueiro era necessário licença. Hoje explora-se, com taxa de IVA a comunicação no éter... no espaço, no ar. Ao jogar à bola, podemos pagar o "objecto", a bola, mas não se queira que por cada chute que se dá na bola, seja cobrado um valor, ou se venda pacotes de toques na bola, por minuto, ou depois do primeiro minuto, taxado ao segundo... com isso só tiramos a magia da evolução, perdendo os "craques da bola", perdendo uma das grandes conquistas dos tempos modernos... a magia de podermos comunicar, falar, a qualquer momento com quem está distante. Na maratona da evolução das civilizações, diga-se com propriedade, que o "sapo" não consegue saltar a derradeira barreira... a barra da liberdade de falar, sem ter que pagar por isso! Até lá, será melhor desenvolvermos a telepatia...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Ouro Negro

"Todo o mundo é composto de mudança"
uma coisa não muda, é a ganância.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Diz, Zé Ninguém

Políticamente Insurrecto, Virtude Crítica.

Os chocolates (todos os derivados do leite em excesso de produção) assim como os produtos (melhor, químicos!) tipo rebuçados e xupa-xupas, estão a ganhar a guerra de décadas contra o tabaco, assim como, os refrigerantes e gelados representam uma das maiores fatias de mercado no consumo europeu. Imagine-se como será com as novas medidas adoptadas em França… com possível aplicação pelos restantes países. Ao entrar num bar, apague o cigarro!... pois, que o interesse agora é outro. Qualquer consumidor gasta mais se não fumar, em todos os produtos supérfluos que abundam nos países desenvolvidos, e escasseiam na África e Ásia. A cidadania devia implicar, energia e água estatizada, marcada com um preço baixo, pois que este bem é de pertença a todos os habitantes, e até as empresas petrolíferas deviam subsidiar todos os projectos que fossem de interesse básico comum… assim, dir-se-ia com propriedade que os países eram “desenvolvidos”. O atraso reside na premissa de que a “legitima” exploração capitalista é o fundamento do desenvolvimento, das economias (não dos cidadãos). O exemplo dos magnatas árabes sustentam esta tese… os seus compatriotas continuam a comer tâmaras com pão, enquanto o sultão viaja de jacto particular, e tem o iate na marina privada. A fonte de riqueza é no entanto… o ouro negro da terra dos ancestrais comuns. Estamos no declínio de seu valor, face às energias limpas...
A distribuição de riqueza, tal como a repartição do trabalho (por tempos distribuídos pela totalidade da população activa) é no futuro a via pela qual um país será considerado “desenvolvido”… até lá, resta ainda a chucha dos lobbys no saque de bens comuns a toda a humanidade, a acumulação de riqueza de uma minoria desconhecida (não aparecem no 100 mais ricos do mundo da Forbes). A compra dos rácios de poluição, permitem ainda aos ricos, subjugar os países pobres… que um dia com o desenvolvimento serão também eles, poluidores sem quotas para vender… Isto, o capitalismo não prevê (não interessa o futuro, só o presente ou lucro imediato). Acresce que para os ricos “venderem” está subjacente que os pobres precisam de alguns recursos, que lhes permita “comprar”, esta é a balança da dicotomia dos tempos modernos. Filosóficamente, diríamos que Zaratustra falava do sonho do homem, voar, enquanto o realismo de Wilhelm Reich escutava ("Listen Litle Man!"-1948) as necessidades básicas comuns à humanidade. Socialmente seria a justaposição das teorias de Josué de Castro (in, “Geopolítica da Fome”) sobre a chegada da subnutrição aos países em vias de desenvolvimento, e a técnica da banda gástrica desenvolvida para obesos (a indústria farmacêutica é o maior aliada da alimentar). Com estes parâmetros, nem Agostinho da Silva, nem a madre Teresa de Calcutá, conseguem afrontar os desígnios do determinismo económico, alicerçado num capitalismo chamado “liberal”. O “homem bom”, de Rousseu, converteu-se no apostador do euromilhões, e o sonho de voar como a águia, enlouqueceu-o, e tal como sucedeu com a loucura de Nietzsch, o bom selvagem converteu o "pessoal" em “globalidade”, esfumando-se o seu altruísmo em cobiça de grandeza.

Este artigo tem assinatura de “ Zé Ninguém” e foto/design de Salvador Dali

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Navegar

Navegar é preciso
É preciso Utopia
Navegar...
Trazer novos mundos ao mundo
Fazer do sonho a quimera
Aprender e Ensinar...
que 1,3904€ não hexiste
é 1,39Euros ou 1,40 cêntimos,
redondo para valer
é preciso pois acabar
com as 4 casas décimais
que o Euro teima em manter

Voto Sagrado

O Homem foi criado à imagem e semelhança de Deus...

E Este, designou ao Homem o Livre Artbítrio, para que pudesse escolher de livre vontade o rumo de suas acções...

"Que atire a primeira pedra, aquele que não tem pecados"
Que não se condene a mulher, que não se excomungue ninguém. Aos padres cabe o acto de perdoar. O aborto não é fé, é lei!
A lei do Rey Salomão (o sábio) demonstra que o juíz deve guiar-se não só pela razão das leis do homem, mas também pelo descernimento do amor. O Saber é também Ciencia.

Os 6 Mais Portugueses

Meia Dúzia de Portugueses podem mudar o mundo

D. Afonso Henriques
Foi o primeiro Rei de Portugal. Definiu, através de várias conquistas, praticamente o território que é hoje Portugal. Nasceu em Guimarães e morreu em Coimbra.

Fernando Pessoa
Nasceu em Lisboa em 1888. Escreveu uma vasta obra, assinada pelos heterónimos Ricardo Reis, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Bernardo Soares, e pelo seu ortónimo.

Infante D. Henrique
Foi o mentor da expansão ultramarina que, mais tarde, desencadeou os descobrimentos. Culto, empreendedor, prospectivo, preparou Portugal para aquela que foi a grande gesta nacional.

D. João II
Filho de D. Afonso V e D. Isabel de Urgel, assinou, no séc. XV, o Tratado de Tordesilhas, assegurando para Portugal a posse do Brasil. O ‘Príncipe Perfeito’ morreu em Outubro de 1495 no Algarve.

Luís de Camões
Nasceu em 1525. Autor de ‘Os Lusíadas’ é considerado o maior poeta da língua portuguesa. Serviu como soldado em Ceuta, entre 1549 e 1551, onde perdeu um olho.

Vasco da Gama

Realizou a primeira viagem marítima para a Índia, partindo de Lisboa em 1497. No princípio do reinado de D. João III, foi nomeado vice-rei daquele território. Partiu em 1524, ano em que morreu.

A receita gastro-intelectual
( do 1º Chefe - Viriato )

Com esta meia dúzia de sumidades, da história de Portugal, este pequeno país poderia enfrentar as vicissitudes dos tempos modernos, servindo-se apenas dos seus exemplos. Para o acto da governação, aconselha-se, ponderarem primeiro o bem do povo, e seguidamente o engrandecimento dos povos… No continente africano, exterminar a fome – no americano acabar as guerras – no asiático proporcionar as liberdades individuais… e na União Europeia nivelar as assimetrias socio-económicas. Liderar com humanismo, e meia dúzia de ideais.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Stop the war

A guerra custa-nos o preço da gasolina... todos os dias! Aconselha-se aos navegantes deste planeta, rumarem p'ra além-fronteira (preço da gasolina abaixo de 1€uro/Lt.) Só a bica (1 €) rivaliza com as esplanadas (?) da Foz... E porque razão o preço da guerra "perdida" deve ser ganha com os tostões dos pacífistas??? Os lucros do petróleo são para acabar com a fome em África? Pois é... fome e lucros são incompatíveis.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

New Year

de MIM...para Vós... Paz... Amor... $aúde... Um Grande Ano num planeta azul melhor para todos...

Ano Novo

Olhe, desculpe... como se chega ao Ano Novo?
Onde?! Ah... a 2007?!!
É fácil... segue sempre em frente, , atravessa o rio, passa a costa... segue sempre em frente pelo meio do oceano, aí, vira à esquerda... não tem nada que enganar... chegando perto vê uma ilha iluminada em fogo! É a Ilha da Madeira... e pronto, está em 2007!!!

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Bom Natal

Façamos nossos, os votos do CIMAR, para todos os nossos amigos...

domingo, 3 de dezembro de 2006

Ó Farol

Esfuma-se o mar no Farol,
em ondas de invernia
quisera eu escrever
tal como Camões escrevia...
e dizê-lo como Pessoa o fazia;
Oh Mar! Oh mar salgado
quanto do teu sal..."

Português Suave


Entre o fumar e o matar... não escolha! Modere-se com Português Suave. O Estado (senhor de bem) optou por assinalar nos "packs" Fumar Mata. Mas, os Estados optam pela guerra, para "defenderem" a paz, a democracia. Os Estados não proibem a manipulação dos produtos nocivos no tabaco... incentivam, com o aviso de que faz mal... "provoca a impotência". A Nação (uma senhora de bem) é feminina e tem estilo, fuma desde há muito tempo, com moderação... fuma Português Suave. O Estado (seu marido) é um corrupto, bêbado, explorador do próximo, e todos os demais adjectivos miseráveis, que apenas reforçam o possível divórcio da Nação (a raça do povo) deste legislador preverso, que em vez de proteger os da Pátria (seus filhos) se ajunta à "vara" de perfíl suínico deste lobby escondido por entre as leis do sr. Estado ( o dito cujo).

( Moral da história: O estado devia proibir a adição de produtos cancerígenos no tabaco - seguramente) Isto foi notícia...

domingo, 26 de novembro de 2006

Mário Cesariny



Poeta e pintor morreu este domingo
(Excertos de)
A última entrevista de Mário Cesariny de Vasconcelos
De Vladimiro Nunes “Semanário O Sol”

Figura de proa do movimento surrealista português, Mário Cesariny faleceu na madrugada de domingo, após longa luta contra uma doença prolongada.
O SOL republica agora o último grande testemunho de um artista incómodo

Para o Mário, como começou o surrealismo?
Estávamos eu e o Alexandre O’Neill (em 1947) muito incomodados com os neo-realistas e ele, uma vez, trouxe-me um livro em francês e disse: ‘Lê isto’. Era a História do Surrealismo, do Maurice Nadeau, que, no final do volume, dizia que os surrealistas já tinham dado o que tinham a dar. Mas o nosso começo foi aí.

… E acabaram por conduzir à formação do grupo, Os Surrealistas.
Pois… Uma parte do nosso grupo andava na António Arroio – tanto do grupo dissidente, como do oficial. Estava o Fernando Azevedo, o Vespeira, o Júlio Pomar... Quanto a nós, estávamos eu, o Cruzeiro Seixas, o Pedro Oom… Depois, estes três ou quatro trouxeram o Fernando José Francisco e fizemos uma exposição, em que entrou também o Carlos Calvet.

(os Ingleses) São actores. Estão sempre a representar Shakespeare.

Um vagabundo chega à tabacaria e pede: ‘May I have a box of matches, please?’ Isto é linguagem de príncipe. ‘May I have’... ‘Poderei eu ter...Uma caixa de fósforos’. Um vagabundo. Os outros são iguais ou ainda mais sofisticados. Já os americanos são uma espécie de ingleses a quem tiraram a inquietação, a metafísica. De maneira que eles andam muito contentes, ‘How are you?’, ‘Fine, thank you’. Com imensas dores de estômago porque a comida é muito má.

O Mário também costuma falar de uma estada em Paris, financiada com a venda de um quadro da Vieira da Silva…
É verdade. Eu escrevi-lhe a dizer: ‘Maria Helena, estão a apertar muito o rabo do gato’. A polícia fazia-me lá ir como suspeito de vagabundagem. Então, a Vieira da Silva, através do Manuel Cargaleiro, deu-me um quadro dela, muito bonito.Eu só pedia dinheiro para a passagem, mas aquilo rendeu imensa massa, que eu fui conspicuamente gastar lá para fora.

Muitos de vós (grupo surrealista dissidente) seguiram caminhos diferentes, com algumas rupturas pelo meio.
A partir de certa altura, este grupo também se desfez. O Cruzeiro Seixas foi para África, o António Maria Lisboa morreu tuberculoso... Deixámos de nos procurar.E o Mário ficou isolado como representante do surrealismo em Portugal.Não pensava nisso. Nem as pessoas acreditavam. Para elas, o António Pedro continuava a ser o grande surrealista.
Com a democracia, esfuma-se a história do surrealismo.

O Mário continuou a escrever e a pintar, mas já sem aquele espírito de grupo.
O José Escada, o pintor, fazia umas coisas em papel vermelho, e fez uns cravos, os cravos do 25 de Abril, com uma dedicatória bonita: ‘Ao Mário, que há muito tempo desconhece o perfume’.

Diz que, para si, a pintura é mais terapêutica do que a poesia. Porquê?
Na poesia tens de escrever se estás zangado, se estás optimista, se estás paixonado. Coisas que na pintura não existem. Embora não seja, parece uma coisa mais impessoal. Não fala das dores de estômago ou das dores de cabeça, das dores de corno. O pincel não dá isso.

Como é que lida com o reconhecimento que tem recebido nos últimos anos?
Não dou muita atenção a isso, sabe? Recebi com alegria a Ordem da Liberdade, porque era a Ordem da Liberdade. Liberte chérie! Agora vivo num deserto. Tenho alguns amigos, muito poucos. Mas realmente não há onde ir, em Lisboa. Quer dizer, para mim, porque a gente mais nova junta-se nos pubs, com a música muito alta, para não terem de falar eles. Nem falar, nem pensar.

Já o ouvi dizer qualquer coisa do estilo: está o poeta, o artista, no pedestal, e depois volta para casa sozinho. O Mário sente-se só?
Acho que sim. Sinto-me só, com as minhas ideias, que me fazem companhia, e com um ou outro amigo que ainda existe, com quem fizemos batalhas, como o Cruzeiro Seixas ou o Fernando José Francisco… Ou o Mário Henrique Leiria, que morreu, o António Maria Lisboa, que morreu, o Pedro Oom, que morreu, o Henrique Risques Pereira, que morreu, o Fernando Alves dos Santos, que morreu... Tenho de me sentir sozinho. Estava escrito que eu ia durar até aos 80 e tais.

O Mário pensa na morte?
Não muito. Penso mais nas doenças.

Acredita na imortalidade?
Não sei. Quando lá chegar, eu telefono [risos]…

O telefone não tocou
Lá chegando, Mário
Talvez te esqueça a promessa
Ou, quiçá o seu contrário
Ou não haja possibilidades
Do pagar no destinatário
MIM

O poeta e pintor Mário Cesariny morreu Domingo de madrugada em sua casa, em Lisboa, cerca das 5h30, aos 83 anos.
Cesariny, nascido em Lisboa a 09 de Agosto de 1923, de pai beirão e mãe castelhana, foi o principal representante do Surrealismo português.

Além de poeta, romancista e ensaísta, Mário Cesariny dedicou-se também às artes plásticas, sobretudo à pintura.